sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Justiça manda lacrar sede de PMs grevistas na Bahia

Jornal do Brasil
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A sede da Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares da Bahia (Aspra), foi fechada nesta sexta-feira (3), depois de determinação da juíza Janete Fadul de Oliveira, do Plantão Judiciário. Ela acatou pedido do Ministério Público.

Conforme a decisão da magistrada, ficam proibidas a partir desta sexta-feira assembleias e reuniões entre integrantes da Aspra, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Não houve resistência dos PMs quando um oficial de Justiça encontrou a associação vazia. Agentes da Polícia Civil ajudaram na ação. A Aspra representa cerca de 2 mil policiais militares e a greve dos PMs dura quatro dias.

Nesta sexta-feira, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, passou o dia conhecendo o teleférico do Complexo do Alemão. De acordo com informações da Secretaria estadual de Transportes, o prefeito deve implantar um projeto parecido na capital baiana.

Dezessete assassinatos em cinco horas

Dezessete pessoas foram assassinadas nas últimas cinco horas em Salvador, na Bahia, onde cerca de 10 mil policiais militares, o que corresponde a cerca de um terço da tropa, entraram em greve na terça-feira. Com os homicídios, chega a 44 o número de mortos desde o início das paralisações. Todas os crimes foram decorrentes do disparo de armas de fogo.

Foram registrados casos de vandalismo, com assaltos, arrastões e arrombamentos de lojas, em várias áreas da cidade. Para tentar conter a onde de violência, o Ministério da Defesa decidiu enviar 650 homens da Força Nacional para a capital baiana. Já na manhã de hoje, 150 militares estavam atuando. Há ainda a possibilidade de que mais 2 mil militares de tropas da 10ª Região Militar, em Fortaleza (CE), sejam acionados para reforçar a segurança no estado.

A Marinha acionou 250 fuzileiros navais para a segurança de portos e terminais de embarque, e a Força Aérea Brasileira (FAB) designou cerca de 400 militares para cuidar do funcionamento regular dos aeroportos públicos em todo o Estado.

O secretário de Segurança da Bahia, Maurício Barbosa, disse nesta quinta-feira que o reforço integra um pacote de medidas para a restauração da sensação de segurança. Ele se reunirá com representantes de associações de policiais para discutir o assunto.

Oa policiais reivindicam a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo e anistia, revisão do valor do auxílio alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

A Justiça, entretanto, concedeu uma liminar ao governo do Estado que decreta a ilegalidade da greve dos policiais militares da Bahia. A decisão deve ser cumprida de imediato, sob pena de multa de R$ 80 mil, por cada dia de paralisação.


Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE
Alfredo Castro, comandante geral da PM, diz que estado de greve não é reconhecido
Alfredo Castro, comandante geral da PM, diz que estado de greve não é reconhecido

Se depender do resultado da assembleia realizada, nesta terça, 31, pela Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado (Aspra), os policiais militares da Bahia entraram em estado de greve desde as 17h de ontem.

À noite, centenas deles concentraram-se no prédio da Assembleia Legislativa (AL-BA), onde permaneciam até o fechamento desta edição. O presidente da Aspra, Marco Prisco, anunciou que só deixariam o local após serem recebidos pelo governador Jaques Wagner.

Representantes de outras três entidades da categoria confirmaram estar negociando as reivindicações com o Comando Geral e o governo, isolando a Aspra. O comandante-geral da PM, coronel Alfredo Castro, disse que o estado de greve não é reconhecido na corporação, e garantiu “normalidade” nos serviços policiais. Líderes da Associação dos Oficiais da Polícia Militar da Bahia, da Associação de Sargentos e Subtenentes do Estado da Bahia e da Associação de Policiais Militares da Bahia (APPM) afirmam, em uníssono, que não cogitam paralisação, por ora.

Como Prisco foi expulso da PM em 2002 (por conta da greve dos policiais em 2001), e até hoje não foi reintegrado, ele não é considerado pelo comando e as demais entidades como um líder de associação.

A representatividade das associações pode ser medida em números. A Aspra tem 2.280 filiados, a APPM engloba 8 mil. São 1,6 mil filiados à Associação dos Oficiais e 4,2 mil da Associação de Sargentos e Subtenentes. Os policiais reivindicam, entre outros itens, a incorporação de gratificações e pagamento de adicional de periculosidade.

Unidades - Diante do grupo que se formou em frente à AL-BA, Prisco declarou que as atividades já haviam sido paralisadas em algumas unidades da PM, “como a 14ª Companhia Independente (Lobato) e Rondas Especiais”. Na 14ª CIPM, nesta terça, apenas sete dos 20 policiais escalados para plantão compareceram. Já no 18º Batalhão (Centro Histórico), não houve faltas, e os policiais disseram desconhecer o estado de greve.

O certo é que os participantes da assembleia da Aspra contribuíram para congestionar mais o trânsito no caminho entre o Ginásio dos Bancários, nos Aflitos, até o Centro Administrativo, na Av. Paralela. Lá, chegaram a esvaziar o pneu de uma viatura.

*Colaborou Euzeni Daltro

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